Sobre a renúncia do papa Bento XVI

No período de carnaval, seja na internet ou na televisão, só o que vemos é a cobertura do carnaval – independente do estado ou da quantidade de pessoas que estejam na festa. Todavia, neste ano fomos surpreendidos com o anúncio da renúncia do papa Bento XVI. Fato que não era visto desde antes do Brasil ser “descoberto” pelos portugueses.

A decisão foi tomada “para o bem da própria igreja”. As causas alegadas foram basicamente: a idade – hoje ele tem 86 anos -; os problemas de saúde – ele já usa um marcapasso, por exemplo -; e, o fato dele, consequentemente, “não ter mais força para fazer os trabalhos que deveria”. Mas o que o papa faz?

Não tenho a pretensão de discorrer sobre todo o trabalho papal, mas apenas este ponto que se encontra na Constituição Dogmática Pastor Aeternus:
“Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra – seja excomungado.
Se, portanto, alguém negar ser de direito divino e por instituição do próprio Cristo que S. Pedro tem perpétuos sucessores no primado da Igreja universal; ou que o Romano Pontífice não é o sucessor de S. Pedro no mesmo primado – seja excomungado.
Se, pois alguém disser que ao Romano Pontífice cabe apenas o ofício de inspeção ou direção, mas não o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada por todo o mundo; ou disser que ele só goza da parte principal deste supremo poder, e não de toda a sua plenitude; ou disser que este seu poder não é ordinário e imediato, quer sobre todas e cada uma das igrejas quer sobre todos e cada um dos pastores e fiéis – seja excomungado.”

…Ou seja, o papa é o cabeça responsável pela Igreja Católica Apostólica Romana possuidora de mais de 1 bilhão de seguidores. E, como dito na citação acima, mais do que responsável, ele goza da plenitude dos poderes de forma ordinária e imediata sobre as igrejas, pastores e fiéis. É um cargo de grande responsabilidade e um fardo pesadíssimo.

Peguei-me pensando nesta responsabilidade. Hoje, sou pastor de uma igreja com um pouco mais de 100 ovelhas, não tenho e nem terei este poder que o papa tem, mas possuo a função de orientar estas amadas ovelhas, ensiná-las a Palavra de Deus, orientá-las em suas dúvidas e fraquezas. Em vários momentos, eu penso que esta vocação é “pesada demais”. Agora, imagine se eu fosse pastor de 1 bilhão de pessoas! Independentemente da idade, eu abriria mão do cargo em 1 dia! É uma responsabilidade que nenhum homem – vivo ou morto – tem condição, permissão ou autoridade para ter. Tal responsabilidade cansa mais do que um trabalho físico. Não é a toa que depois de elaborar a sua lista de sofrimentos físicos, a última coisa que o Apóstolo Paulo cita é justamente o peso de ter responsabilidades com a igreja (2 Coríntios 11.28). É realmente um trabalho pesado demais.

Foi então que me lembrei que Cristo nunca abriu mão de Seu pastorado. O próprio Apóstolo Pedro O chama de Supremo Pastor (1 Pedro 5.4). Jesus amou tanto a Igreja que sofreu dores físicas e espirituais para que ela pudesse ser redimida e estar debaixo deste pastorado para todo o sempre. Mesmo em perseguições, dificuldades, até mesmo a morte, Cristo sustentou o Seu amor pela igreja e assim conquistou o direito de ser chamado de Único Cabeça da igreja, pois nenhum outro homem pode fazer o que Ele fez.

Cristo é a minha motivação para, quando eu pensar que o trabalho é pesado demais, lembrar-me do que Ele sofreu por mim e pela igreja para ser o Supremo Pastor de nossas almas e encontrarmos verdadeiro descanso, não nos abandonando em nenhum momento.

Que, nesta renúncia, pessoas – incluindo o próprio Papa – possam perceber que a única esperança se encontra nAquele que nunca saiu do trono; que, como Isaías em seu chamado (Isaías 6), o trono vago do rei mostre que Deus nunca saiu do Seu trono de glória, nem nunca sairá ou renunciará de Seu trono; e, que, nEle, pessoas possam encontrar descanso.

Em Cristo, Senhor da Igreja,

Pastor Leonardo
Igreja Presbiteriana do Jóquei

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